terça-feira, 19 de julho de 2011

Tardes Fagueiras

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

 Doces recordações das aulas de “Educação Artística”, do Cristóvão Pereira, em que tínhamos que declamar a poesia, e isto valiam nota não só com a professora, mas também entre as gurias, porque naquele tempo a cantada era literalmente em prosa e verso, e nada mais, além disso.

Às vezes fito o horizonte, (já entrei nesta fase) e recordo o passado da minha doce Santiago, onde entre trilhos, sangas, mato construí um mundo limitado pelo primeiro lajeado e o corredor das tropas, além do qual vislumbrava junto com meu irmão e primos uma mata azul muito longe que povoava nossa imaginação.

Esta misteriosa mata não sei por que tinha uma cor azulada, se pintada pela nossa imaginação ou algum gnomo espertalhão tingia só para nos enfeitiçar. Enfim ela povoou nossos planos de guri por muito tempo. Fomos aos poucos ganhando coragem e astúcia para rompermos fronteiras e cada vez mais nos aventurando e descobrindo lugares paradisíacos, primeiro foi uma sanga nos fundos do pátio do seu Oralino Pinto, onde pulávamos uma cerca de pedras e aproveitávamos para roubarmos um banho na sanga gelada após empanturrarmos de bergamota. Depois íamos galgando aventuras maiores como o poucinho das tardes fagueiras (veja os versos acima, por que será?), o lambe beiço, a cachoeirinha, a piscina do capitão Peli e assim por diante avançamos cada vez mais, unindo aulas de história do Brasil, entradas e bandeiras descoberta de ouro, ataques indígenas, tratados de Tordesilhas dividindo terras posses de cerros e montanhas, a ai passávamos horas perambulando divididos em dois grupos onde uns eram índios e outros mocinhos, reeditando filmes de matinês do Imperial, que para assistirmos vendíamos ossos, vidros e ferro velho para o “Seu Mundinho”, (Devo confessar que muitos dos ossos eram os mais pesados que já vi no reino animal, pois o tutano era cheio de ferro).

Naquelas tardes fagueiras

Debaixo dos laranjais...

Um comentário:

Gaivotadourada22 disse...

Maravilha de escrito, narração e pintura perfeitas, pode-se vislumbrar cada cena descrita... Realmente nos tempos de Gurizada Medonha...
Parabéns Gilberto, o "pé na porta" está deixando as palavras entrarem textualizando a vida...
Aplausos!
Abraços!