Naqueles tempos, na pequena Santiago, não existia a “água encanada”, e uma seca duradoura judiava da população, existia apenas uma fonte de água, chamada de poço publico, que se localizava em uma das nascentes do rio Itu, no bairro do mesmo nome.A seca durava meses e, o desespero era tal que minha mãe, reuniu um grupo de beatas e começaram a fazer uma novena, pedindo aos céus para que chovesse. Todos os dias ali pelas 6,00 da tarde iniciava a novena, com direito a bolo frito e chimarrão, (até a água pro chimarrão estava escassa), o desespero era tanto que a reunião cada dia aumentava mais o numero de fiéis em oração.
Minha mãe (mãe Neita como carinhosamente a chamávamos) colocava todas em circulo, munidas de seus rosários, debaixo de um pé de ariticum e pediam para todos os Santos que mandassem água.
Lá pelo sétimo dia da Novena, na metade do terço, de repente milagrosamente começa a jorrar água bem no centro do “oratório”, tal foi a comoção das rezadeiras ao ver a água jorrar do solo árido e não visitado por chuva há muito tempo que choravam e gritavam “valha-me Nossa Senhora – Milagre! Milagre..”
Meu pai, mais cético, acorreu ao local do “milagre” enquanto a água jorrava para cima e com desconfiança chegou para examinar a nascente divina, eis que observa um cano subterrâneo que trazia água até o local.
Segurou na ponta daquele cano, e foi desenterrando o conduto até chegar a quase vinte metros de distancia e encontrar em cima de uma árvore o reservatório que supria de água.
Meu irmão havia produzido sem que nos soubéssemos, um encanamento feito com aquelas mangueirinhas de soro que juntávamos do lixo do hospital de caridade e ardilosamente produziu o milagre das águas na Vila Itu.
Sem dúvida que valeu um belo corridão em meu irmão que passou uma noite inteira escondido no porão da casa.
Às vezes me dava até impressão que meu pai sorria disfarçadamente, haja vista que não lhe era de bom grado aquela “rezação da mulherada, e elas que fossem carregar água de baldes”.
Um comentário:
Que Gurizada Medonha...
Essa com certeza foi uma peripécia que poderia ser batizada de "arte santa"... rsrsrsrs!
Maravilha Gilberto!!! Parabéns pelo Blog, é muito bom ler teus contos!!!
Abraços!
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